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Continuação do conto de Santo Antônio parte 2

  • Karla de Luna
  • 12 de jul. de 2022
  • 4 min de leitura

Em Barcelona...


Se Dani pudesse seria para sempre uma gata vira-lata, mas o dever lhe chamava, não poderia perder a oportunidade de trabalho na Espanha até o final do verão. No final de semana prolongado em Lagos cada instante foi aproveitado. E graças à generosidade de Santo Antônio seu namoro de verão foi marcante.

No dia seguinte mal podia suspirar ao lembrar-se do amanhecer nos braços de Steve, porque ele estava com ela o tempo todo, café da manhã inglês, praia, beijos salgados e todo tempo do mundo para se conhecerem. Signo de Áries, professor de crianças, filho de gregos, mas residente da cidade de Nova York, e como Dani um amante do Velho Mundo, pronto para descobertas. Seu destino final seria Grécia, em busca de sua cultura e alguns familiares. O meio da jornada permanecia sem muitos planos. Mas ao que tudo indicava Dani fazia parte deles, ao menos naquele final de semana.

– Amiga, eu não posso sair com vocês, não pretendo ficar de vela.

– E eu não vou deixar você sozinha, viemos juntas para Portugal e vamos jantar juntas.

– E se Steve quiser estar só com você?

– Se ele não for digno de entender e ficar feliz com a companhia de duas gatas maravilhosas, então que nem se dê ao trabalho de me ver mais uma vez que seja.

E não é que além de ser divertidíssimo mais uma vez ele se demonstrou um gentleman? E as gatas vira-latas se deram bem com um jantar pago e companhia pra deixar as outras gatas babando.

Pena que o cansaço atingiu cada um, suas pernas não permitiram dançar, caminhar pela cidade, no máximo um pastel de Belém a caminho da pensão. Mariana se recolheu, talvez Dani quisesse fazer o mesmo, afinal, coisa chata que é despedida. Mas ela não encarou como tal, tanto que os beijos foram suaves, daqueles que descem pela nuca, envolvem o pescoço e depois queimam por dentro quando palavras são sussurradas ao ouvido.

Mas as mãos não eram leves, e lá estava a gata vira-lata encurralada e agradecendo aquela pensão escondida num beco escuro e por encontrar um cantinho perfeito para se atracar com quem a fazia feliz naquele momento.

E Steve realmente sabia o que fazia. Por um segundo Dani sentia preocupação, mas depois de um beijo profundo e as hábeis mãos dele afastar sua calcinha de renda – sim, dessa vez ela estava preparada, e tinha lá suas intenções – as dele, pelo jeito não eram nada boas. Mas não precisaram ir muito longe para ela se derreter. Sua sensibilidade estava à flor da pele, apenas seu toque foi capaz de lhe provocar sensações desconhecidas. A pobre gata nunca havia experimentado aquela massagem.

– Como assim, nunca ouviu falar de massagem yoni? – Ele sussurrou enquanto seus dedos trabalhavam arduamente.

– Seja lá o quê e como for apenas continue. – Ela quase implorou.

– Sim, depois te explico com calma.

Em outra situação Dani teria ficado curiosa, mas diante do êxtase provocado, além de toda avalanche de sentimentos e acontecimentos em apenas dois dias, o espaço em sua mente se encontrava limitado. Despediram-se como se fossem vizinhos, mas sem saber em que rua, viela, cidade ou simplesmente em pensamento esbarrariam um ao outro.

Guardou tudo na memória, trocaram e-mails – era o que tinha no momento – e tentou não criar expectativas.

De volta, seu consolo era caminhar pelas ruas movimentadas de Barcelona, e dançar, e dançar, se concentrar no ritmo envolvente das músicas que tinham o poder de fazer seu corpo bailar, extravasar suas energias, deixando o ritmo lhe levar. E quando cansava tinha o privilégio de esbarrar em algum feito de Gaudí, ou qualquer obra-prima que encantasse e fizesse seu coração transbordar. Afinal não somente um deus grego é capaz disso.

E quando menos esperava, um e-mail de Steve e para seu completo desespero estava em sua caixa de mensagens há dois dias.

– E agora Mari? Ele vai pensar que não dei a mínima, nem estava em seus planos vir a Espanha e se já foi embora?

Ela só tinha em mente vê-lo, nem que fosse mais uma vez, por sorte Mariana estava presente.

– Seu santo é forte amiga, como já foi comprovado. Apenas responda e ele verá a tempo.

No dia seguinte Steve estava na porta do seu hotel com um sorriso enorme estampado no rosto e um abraço tão gostoso que Dani se conteve para nunca mais largar aquele homem e apaixonar-se.

Precisava cuidar do seu coração, mas talvez sua mente estivesse um pouco insana. Os dias que se sucederam eles se viam logo após seu expediente de trabalho, às vezes andavam meio sem rumo, outras, decididos a comer ou até mesmo caminhar pelo parque.

– Você tem razão a Espanha realmente tem um charme e essência capaz de fazer a gente se apaixonar.

– Estou feliz que está aqui – hesitou – quero dizer pra comprovar isso.

– Digo o mesmo, e descobrir com você torna tudo ainda melhor.

Nesse momento depois de um beijo daqueles, ela partiu para seu momento ousadia.

– Vem comigo.

Não pensou nas câmeras, se é que havia, o elevador, meio escondido, propiciou a subida direto para seu quarto.

A saudade aqueceu sua cama, estavam sedentos um pelo outro. O fato de ser a ultima noite juntos, na manha seguinte Steve pegaria o trem para Itália, a fez extravasar. Apertar seus braços, mordiscar cada parte do corpo dele, pedir mais, exigir seu toque com urgência, não parecia nem um pouco loucura, mas sim um momento passional.

– Seu eu morasse em Nova York, continuaria se encontrar comigo? – Dani soltou sem pensar, mas a resposta dele foi tão espontânea que provavelmente não tenha sido somente para alegrar seu coração.

– Eu adoraria Dani.

Ela adormeceu com essas palavras e seu sorriso visto mesmo no escuro.

Pela manha sentiu seu beijo, melancólico, doce e na sequencia um baque assim que a porta se fechou. Algumas lágrimas foram inevitáveis. Correu para a janela e o viu dobrar a esquina com o sol apontando no horizonte.

Se pudesse seria somente dele, sua exclusiva gata vira-lata, e realizaria todos os seus desejos. Mas segui-lo não podia, implorar sua presença muito menos. Então sonhou, repassou cada momento, mas seguiu em frente. O coração palpitava com seus e-mails carinhosos e mais ainda com as lembranças apimentadas. Dani não podia deixar de ter esperanças, afinal os encontros foram muito além de suas expectativas. Sua intuição não falhou, ele a queria, sentia sua falta. O convite irrecusável de Steve fez Dani estremecer. E claro, ela não hesitou dar continuidade a sua história.

Aguarde pelo episódio final da gata vira-lata...



 
 
 

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